sábado, 24 de setembro de 2011

A importância da tecnologia em sala de aula e da utilização dos saberes docentes


Já faz 10 anos que trabalho em call center, começando como operadora de telemarketing e hoje em dia estou na função de Multiplicadora de Treinamento. Procurei este tipo de emprego para poder ingressar na UFRGS e cursar Pedagogia, trabalhando em meio turno e que pudesse me dar garantias de sobrevivência, pois estágio na área da educação paga muito pouco, em média o valor de R$ 400,00 onde só é possível pagar o aluguel. Esta profissão surgiu na última década com força devido a diversos fatores, como por exemplo, ao avanço tecnológico e privatização das empresas de telefonia. Também cresceu devido a necessidade de atendimento a clientes de diversos serviços, como planos de saúde, alimentos, bancos, cartões de créditos e seguradoras, entre outros.
Para esta função é necessário segundo grau, ou seja, ter  atual ensino médio concluído, ter 18 anos de idade e muitas vezes é solicitado nível superior em andamento para crescimento profissional na empresa contratante. Este tipo de trabalho requer algumas habilidades, como por exemplo, boa comunicação e expressão verbal, boa audição, atenção, dinamismo e conhecimentos de informática.
Atualmente ministro treinamento aos recém chegados na empresa, sendo que durante 30 dias são passados os conteúdos de sistemas, procedimentos e produto da empresa. Os novos funcionários fazem simulações de atendimento, dinâmicas e exercícios teóricos antes de ir para o atendimento com o cliente real. Porém nota-se grande dificuldade em sistemas de informática nas pessoas contratadas com mais de 50 anos de idade, pois existe a necessidade de trabalhar com mais de dez sistemas ao mesmo tempo para verificação de dados do cadastro do cliente junto à empresa. A maioria das pessoas nesta faixa de idade não se adapta ao tipo de trabalho, apesar de possuir cortesia no atendimento aos clientes, possuir ótima fluência verbal e dedicação ao trabalho.
Esta situação me leva a refletir sobre a inclusão digital que a partir dos anos 90 foi iniciada e tem ganhado muitos adeptos. Tudo o que temos que fazer precisa de conhecimentos tecnológicos ou de informática, como, por exemplo, ir ao banco tirar um extrato, sacar dinheiro do caixa automático, pagar uma conta, ou ir a um restaurante onde pagamos o almoço com cartão e ele irá se conectar a uma rede administradora de crédito por uma simples ligação telefônica, bastando inserir a senha.
Na comunicação com amigos usamos o celular, seja falando ao telefone ou enviando mensagens de textos pelo próprio aparelho e logo estamos também conectados a Internet pelo celular ou pelo modem sem fio 3G. No ônibus para passarmos na roleta temos que utilizar o cartão TRI e não raras vezes vejo idosos com dificuldades em saber utilizar esta ferramenta. Acho interessante nas novas gerações, após anos 90, possuírem uma característica: parece que nasceram com o mouse nas mãos, de tanta facilidade de lidar com esta tecnologia.

Mas apesar desta facilidade ainda não existe uma inclusão digital para todos, pois depende muito do meio social em que esta pessoa está inserida. Nem todas as escolas possuem acesso à informática e ter um computador em casa é muito caro, pois se fomos pensar nas prioridades das famílias das classes populares que buscam emprego digno e que possam garantir pelo menos o alimento e a moradia, o computador é fora de alcance da renda. Muitos moradores das periferias possuem acesso nas comunidades de bairro ou programas de instituições localizadas perto de suas casas para a inclusão digital.
Quando as pessoas têm acesso à informática e conseguem concluir o segundo grau, vão atrás de uma profissão que permita estudar e se aperfeiçoar, muitas vezes acabam tendo como primeiro emprego o call center. Em Porto Alegre cresceu muito a oferta para este tipo de profissional, pois os gaúchos são muito elogiados pelos clientes de todo Brasil pela cortesia e qualidade de atendimento por telefone. É uma boa oportunidade de trabalho para quem deseja estudar ou inclusive ficar mais tempo com a família.
Assim como neste tipo de profissão existem muitas outras que exigem informática e aí vem à questão da educação que acaba colaborando para o perfil do futuro trabalhador para um mercado de trabalho que exige certas habilidades tais como conhecimentos de informática. Já abordei acima que na nossa rotina precisamos deste tipo de conhecimento e com isso podemos entender que as mudanças e atualizações tecnológicas nos influenciam, então como a escola irá ficar fora desta necessidade?
O professor precisa estar atualizado e se não tem como pagar um curso de informática terá que buscar em seus saberes formas de se adaptar e introduzir estes conhecimentos em sala de aula. Na verdade sempre se exigiu do professor que estivesse atualizado para poder ministrar suas aulas, mas as atualizações eram baseadas em jornais, livros, revistas, enciclopédias e hoje em dia é no famoso site de buscas, onde encontramos tudo de tudo, inclusive acessar livros inteiros gratuitamente na tela do computador. As inovações e pesquisas em educação são bastante pesquisadas e utilizadas nas universidades, assim como nas salas de aula alguns planejamentos são baseados em troca de idéias em blogs com outros docentes.
A informática na educação pode auxiliar tanto o aluno como o professor, trazendo para a sala de aula conhecimentos e saberes que antes não se poderia acessar com facilidade. Porém é necessário sabe utilizar desta tecnologia para que se tenha um uso objetivo e consciente. Muitas pessoas não sabem usar todas as vantagens de ter em seus dedos o mundo de conhecimentos e utilizam apenas como lazer. Mesmo assim acabam ganhando habilidades em digitar, entrar em sites, fazer interpretações e interagir com diversas culturas.
Quando estava no estágio curricular na turma de EJA usei o laboratório de informática com o sistema de localização em mapas de satélite (Google Maps). Coloque Porto Alegre no telão e com isso a turma toda navegou pela cidade e conseguiu se localizar no espaço, compreendendo seu lugar no mundo. Cada aluno queria ver onde ficava sua casa e a do colega. Também foi verificada a localização da escola e a distância dela da casa de cada aluno. A turma verificou que perto de suas casas não existe escola com modalidade em EJA e por isso precisam gastar passagens e vir até o centro da cidade. Foi muito interessante esta aula, onde os alunos puderam fazer contextualizações e se verem com parte integrante de uma comunidade, problematizando a questão de deslocamento para o estudo.
Esta atividade foi realizada baseada nos meus saberes profissionais em call center, onde desenvolvi a habilidade de manusear computadores e na minha curiosidade por mapas. Como sempre gostei de procurar nos mapas físicos as informações sobre o meu mundo, acabei me interessando em buscar também nas imagens de satélite onde posso ver onde me localizo de forma diferente. O professor não consegue se desconectar dele mesmo, de suas habilidades, conhecimentos e competências na hora de planejar e executar sua docência com os alunos.
Concluo que os professores, as escolas, os governos, devam buscar a inclusão digital e conhecimento de informática para preparar um cidadão atuante num mundo informatizado, mas que infelizmente não consegue ainda acabar com a fome e miséria.

2 comentários:

  1. Oi Magda,

    está excelente a tua reflexão, conectando uma demanda social com saberes docentes necessários para promover a inclusão digital. Fiquei pensando, enquanto lia a parte final da tua postagem, que talvez na formação inicial dos professores (Graduação) fosse necessário dar mais ênfase à preparação dos alunos para utilizarem as tecnologias de informação e comunicação em sala de aula. O que tu pensas sobre isso? De que modo ou em que medida estes saberes foram contemplados na tua formação como pedagoga?
    Seguimos...
    Um carinhoso abraço e até breve!

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  2. Oi querida,

    ainda aguardo uma resposta para os questionamentos que deixei e uma postagem sobre o andamento da atividade em grupo.
    Voltarei em breve para acompanhar e comentar os teus registros.
    Um carinhoso abraço,
    Profa. Nádie

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