segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Minhas influências para escolher a profissão


           Esta narrativa vem demonstrar minha trajetória escolar identificando a experiência mais importante como aluna, relatar quem foi o professor mais importante e interessante que marcou a minha vida, por que ele ou ela foi tão importante e o que aprendi com ele ou ela que ainda conserva. Também irei esplanar as influências familiares na minha escolha na profissão.

A primeira experiência escolar e a metodologia da escola

       Durante a minha primeira experiência escolar, quando fui para o Jardim de Infância, fiquei encantada com aquele ambiente diferente de minha casa. Interagia com outras crianças da minha idade, brincando, lendo, desenhando em cadeiras e mesas pequenas adaptadas ao meu tamanho. Admirava minha professora e até hoje lembro de seu nome: Vera. Foi um encanto tão grande que me inspirei nela e com apenas cinco anos já queria ser professora e de Jardim de Infância.
        Em meu primeiro grau, hoje intitulado de Ensino Fundamental, planejei estudar para ser professora, observava como agiam minhas professoras e professores, admirava alguns que realmente fizeram a diferença, pois apesar de sempre estudar em escola estadual, tive ótimos professores que se empenhavam em fazer um ensino de significado aos alunos.
       Algo muito importante foi a metodologia de minha escola, pois a minha turma foi escolhida e desde a 4º série fazíamos parte de um projeto especial de ensino que se chamava: “Projeto Aplicação”. Este projeto consistia em ensinar a partir da experiência, do concreto e da observação de fenômenos, pois buscava desenvolver um aluno capaz de tirar suas próprias conclusões e argumentos em relação ao conhecimento estudado.
       Muitas vezes íamos ao laboratório de ciências para as aulas de biologia, física e química, observando e executando as experiências para aprendizagem direta. Também eram constantes as pesquisas na biblioteca e trabalhos em grupos, onde socializávamos os conhecimentos e aprendíamos a pesquisar sobre os diversos conteúdos estudados.

A professora mais importante que marcou minha vida

      Uma professora em particular foi muito especial, a Maria Luiza de Língua Portuguesa. Ela foi professora na 8ª série e desde o início explicou que suas aulas seriam de interpretação de textos e não as tradicionais aulas de gramática sem contextualização.
     No início ficamos desconfiados, pois ela introduziu as aulas a partir da interpretação das músicas de Chico Buarque e para adolescentes de 14 anos, isto era música de velhos. Ninguém gostava deste tipo de música em plena época do grupo Menudo, mas mesmo assim a professora acreditava tanto em sua metodologia que transmitiu sua paixão e conhecimento para todos nós.      
     No final todos aprenderam a gostar de Chico e entender suas letras, o mundo do subentendido já estava em nossas vidas. Agora que entendíamos as músicas de Chico começamos a gostar dele e ver o mundo com mais criticidade, onde em tudo tinha algo escondido para dizer coisas importantes num país que até pouco tempo vivia em ditadura.
    Esta professora tinha paixão por ensinar e sabia como fazer a gente também se apaixonar por aprender. Suas aulas eram dinâmicas, em cada aula um tipo de trabalho diferenciado, com teatro, paródias musicais e declamações de poesias de vários músicos, poetas e escritores. Estas paródias foram em sua maioria como reivindicação para a limpeza da escola e também campanha contra as drogas com uso de medicamentos proibidos.
     Usávamos nossa criatividade, que desconhecíamos possuir, a favor da          consciência e cidadania. Uma professora realmente especial que acreditou em nosso potencial e nos desenvolveu, pois não só aplicou um conteúdo curricular, mas nos formou como seres pensantes e atuantes na comunidade. Graças a ela aprendemos interpretação de textos, uma habilidade difícil de se adquirir.
    Quando ela foi embora, pois iria morar no Paraná, choramos muito em sua despedida e lhe presenteamos com um lindo buquê de flores. Pensei naquele momento que tipo de professora queria ser realmente, como seria com meus alunos, então me inspirei na Maria Luiza de Língua Portuguesa, jamais esqueci dela e até hoje adoro Chico Buarque.
    No relato acima podemos perceber que é possível se aproximar dos alunos, trazer algo interessante e inovador, mas para isso temos que ter paixão por ensinar, conhecimento do que se quer ensinar, metodologia e planejamento.      
    Esta professora tinha um projeto que seria construído diariamente em sala de aula com a influência e participação dos alunos. Ela tinha e transmitia convicção que assim seria a melhor forma de aprendermos este conteúdo tão importante para os alunos. Com certeza havia muito planejamento e dedicação por parte dela para que as aulas fizessem sentido, pois uma orquestra faz sucesso com um grande maestro.
A influência familiar

    Outra influência foi minha avó paterna que me educou, pois foi professora, fez o antigo curso “Normal” no Instituto de Educação General Flores da Cunha, mas estava aposentada como funcionária do IPERGS. Com certeza ela teve grande parcela de “culpa” em reforçar meu desejo de dar aulas para criança. Porém ela tinha uma visão de educação idealizada, pelo menos era isso que eu percebia em sua fala, que era maravilhoso dar aulas e que seriam perfeitas com alunos interessados. Ela dizia que se eu fosse professora estaria com uma profissão e um futuro garantido.
               
Em busca da conclusão do curso e profissionalização docente

      Hoje me sinto pronta para o desafio, pois muitas foram as experiências profissionais em outros ramos após a experiência frustrante do curso de magistério. Não estou pronta como profissional, mas segura para seguir a carreira, pois apesar de tudo, considero que minha bagagem foi fundamental para minha construção docente, já que ninguém nasce pronto, conforme Paulo Freire, sendo o tema que irei tratar no meu TCC, os diversos saberes que auxiliam na construção da docência em EJA.

 

terça-feira, 23 de agosto de 2011

Objetivo deste blog

Este blog faz parte do Portfólio Educacional para a disciplina de Ensino e Identidade Docente da Faculdade de Educação, no Curso de Pedagogia da UFRGS.
Estou no Oitavo semestre de Pedagogia em volta com o fim de curso, TCC, juntar créditos complementares para o então sonhado dia da formatura.

A foto a baixo explicita um momento único em minha vida profissional: a despedida do Estágio Curricular numa turma de EJA (T1/T2) em 4 de Julho de 2011. Foi marcante e importantíssima esta experiência e a imagem retrata um pouco de como foi interessante e especial para os alunos também. Alegria, trocas, atenção, afeto, conhecimento e amizade foram as marcas desta experiência docente.



Mas como tudo isso começou? Por que escolhi fazer Pedagogia? Por que ser professora? Que influências, que vivências fizeram eu escolher esta profissão? É isso que este blog tentará expor até o fim do semestre de 2011.


Conto com a participação de você neste blog para comentar, criticar e sugerir!

Abraços, Magda!
 

terça-feira, 16 de agosto de 2011

Minha memória escolar: O Jardim de Infância

Lembro da minha infância, onde adorava ir ao colégio para aprender a desenhar no Jardim de Infância e onde aqueles lápis de cor, giz de cera, tinta têmpera, papel liso e branco me deixavam feliz. Adorava as brincadeiras no pátio, levar minha lancheira com pão com chimia e café com leite para a hora da merenda. Tinha uma colega que estava sempre por perto me salvando de um menino que insistia em me dar um beijo, mas eu só tinha 5 anos! A professora pensava que eu queria beijar, mas não era verdade, pois nem gostava do menino.
Naquela época era tudo uma eterna primavera, lembro do cheiro das coisas, da sala, das árvores, da lancheira, dos livros infantis de gravuras com poucas palavras, pois ainda não sabia ler. Foi minha primeira experiência no ambiente escolar e tudo era muito bom. Me lembro de falar com a minha avó paterna sobre ser igual a minha professora Vera. Sim, lembro dela, foi em 1977, mas lembro da minha primeira professora do Jardim de Infância. Ela era carinhosa, alegre, mas ficava brava quando os meninos corriam no pátio e brigavam entre si.
 Uma vez fiquei com catapora e não pude ir na aula, fiquei muito triste, pois foram muitos dias em casa perdendo aula. Quando acordei pronta para ir para a escola, meu pescoço doía e estava super inchado: havia pego caxumba e o resultado foi ficar mais um tempo de molho em casa. Fiquei mais triste ainda, pois não ia ver meus colegas, sentar naquelas mesinhas e cadeiras do meu tamanho, ter momentos de olhar os livros, cantar músicas, ouvir histórias, brincar naquele pátio enorme!
Um dia fizemos um teste para passar para a primeira série e isso me deu até dor de barriga de tão preocupada, pois queria passar para poder aprender a ler e escrever. Lembro que fiquei sozinha sentada num banco da escola e meus pés balançavam por não encostar no chão. Fui chamada para dentro da sala e fiquei somente com a professora Vera naquela grande sala do Jardim de Infância. Me lembro que queria dar o melhor de mim naquele teste, mas ao mesmo tempo me sentia injustiçada por sofrer tudo aquilo e achei que as brincadeiras haviam acabado. Nunca me deram um teste, será que era para saber se eu era burra? E se eu fosse mal a minha avó iria pensar o que de mim? Por que depois de tanta coisa boa eu tinha que sofrer? O teste consistia em memorizar um monte de figuras por algum tempo e depois a professora tapava as imagens e eu tinha que dizer o que tinha ali embaixo. Achei que tinha ido bem e o resultado foi que eu havia passado para a primeira série. Puxa que bom, eu pensei, "então não sou burra!" hehehe...
E desde aquela época colorida e cheia de perfumes que eu queria ser professora e de Jardim de Infância, como a professora Vera.